18.2.17

7.2.17

[UniRio] Subsídios para as aulas de 11/02 - História Antiga e Medieval



História Antiga.

Centraremos nosso debate de sábado na ideia da concepção do espaço geográfico grego. Isso é, inclusive, parte do texto da aula, já disponível na plataforma, onde o título empregado é “O espaço grego e a ocupação humana”.

Em linhas gerais, o aluno deve perceber que a aula trata da identidade do grego, que supera, em determinados momentos, o pertencimento geográfico a um território (no caso, o grego), faz uma análise, posteriormente, à geografia da Grécia e, por fim, parte para uma periodização do desenvolvimento grego, baseada na obra de M. Finley.

É importante que o aluno tenha, também, a leitura do texto de apoio disponibilizado na Plataforma, cujo título é: “Os sentidos da itinerância dos Aedos Gregos”, de Alexandre Santos de Moraes.

História Medieval.

Em Medieval, continuarem o debate sobre o livro de Baschet, agora em seu segundo capítulo. A ideia central dessa parte é focar no Reino dos Francos, sua conversão e expansão. Também é interessante notar que permanece o debate que tenta desvincular a ideia de “atraso” à Idade Média. Um bom argumento aparece logo na pequena introdução do capítulo, que Baschet intitula de Renascimento Carolíngio.

Outra parte importante e que merece nossa atenção está na veiculação do esplendor islâmico e sua caracterização.

Sugiro que tentem resolver os questionamentos feitos para a aula e disponíveis na Plataforma. Eles são, de certa forma, o norte do capítulo.

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[CEC] Exemplos de redações nota 1000

Amigos:

Um primeiro complemento às nossas aulas de Estudos Orientados com ênfase na produção de redações e com vistas ao ENEM será a exemplificação de textos que mereceram, por parte da Banca Examinadora, nota máxima, ou seja, nota 1000.

No ano de 2015, o ENEM solicitou como tema "Publicidade infantil em questão no Brasil". Abaixo temos alguns textos retirados no Portal de notícias G1 – Educação: (acesso os outros textos clicando aqui)

Redação 1, de Antônio Ivan Araújo, do Ceará


A publicidade infantil movimenta bilhões de dólares e é responsável por considerável aumento no número de vendas de produtos e serviços direcionados às crianças. No Brasil, o debate sobre a publicidade infantil representa uma questão que envolve interesses diversos. Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais.
Em primeiro lugar, nota-se que as propagandas voltadas ao público mais jovem podem influir nos hábitos alimentares, podendo alterar, consequentemente, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças. Os brindes que acompanham as refeições infantis ofertados pelas grandes redes de lanchonetes, por exemplo, aumentam o consumo de alimentos muito calóricos e prejudiciais à saúde pelas crianças, interessadas nos prêmios. Esse aumento da ingestão de alimentos pouco saudáveis pode acarretar o surgimento precoce de doenças como a obesidade.
Em segundo lugar, observa-se que a publicidade infantil é um estímulo ao consumismo desde a mais tenra idade. O consumo de brinquedos e aparelhos eletrônicos modifica os hábitos comportamentais de muitas crianças que, para conseguir acompanhar as novas brincadeiras dos colegas, pedem presentes cada vez mais caros aos pais. Quando esses não podem compra-los, as crianças podem ser vítimas de piadas maldosas por parte dos outros, podendo também ser excluídas de determinados círculos de amizade, o que prejudica o desenvolvimento emocional e psicológico dela.
Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – deve conscientizar, por meio de palestras e grupos de discussão, os pais e os familiares das crianças para que discutam com elas a respeito do consumismo e dos males disso. Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável.

Redação 2, de Lucas Almeida Francisco, de Sergipe


A publicidade infantil tem sido pauta de discussões acerca dos abusos cometidos no processo de disseminação de valores que objetivam ao consumismo, uma vez que a criança, ao passar pelo processo de construção da sua cidadania, apropria-se de elementos ao seu redor, que podem ser indesejáveis à manutenção da qualidade de vida.
O sociólogo Michel Foucault afirma que 'nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político'. A publicidade politiza o que é imprescindível ao consumidor à medida que abarca a função apelativa associada à linguagem empregada na disseminação da imagem de um produto, persuadindo o público-alvo a adquiri-lo.
Ao focar no público infantil, os meios publicitários elencam os códigos e as características do cotidiano da criança, isto é, assumem o habitus – conceito de Pierre Bourdieu, definido como 'princípios geradores de práticas distintas e distintivas' – típico dessa faixa etária: o desenho animado da moda, o jogo eletrônico socialmente compartilhado, o brinquedo de um famoso personagem da mídia, etc.
Por outro lado, a criança necessita de um espaço que a permita crescer de modo saudável, ou seja, com qualidade de vida. Os abusos publicitários afetam essa prerrogativa: ao promoverem o consumo exarcebado, causam dependência material, submetendo crianças a um círculo vicioso de compras, no qual, muitas vezes, os pais não podem sustentar. A felicidade é orientada para um produto, em detrimento de um convívio social saudável e menos materialista.
De modo a garantir o desenvolvimento adequado da criança e diminuir os abusos da publicidade, algumas medidas devem ser tomadas. O governo deve investir em políticas públicas que atuem como construtoras de uma 'consciência mirim', através de meios didáticos a fomentar a imaginação da criança, orientando-a na recepção de informações que a cercam. Em adição, os pais devem estar atentos aos elementos apropriados pelos seus filhos em propagandas, estimulando o espírito crítico deles, a contribuir para a futura cidadania que os espera.

Uma boa tarefa que vocês podem realizar é verificar quais são os pontos fortes desses textos. Por exemplo: na Redação 2, percebam que o candidato tem (ou deixa transparecer que tem) uma quantidade considerável de leituras sobre Sociologia. Aproveitou-se do tema, portanto, e fez um texto interdisciplinar, trabalhando e alinhando alguns conceitos à proposta. Essa é uma grande sacada que eleva de forma considerável a pontuação do aluno.

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4.2.17

31.1.17

[UniRIO] Subsídios para as aulas de 04/02 - História Antiga e Medieval

História Antiga

- Ler e analisar a Aula 1 do material. Trata-se de uma introdução ao ensino de História Antiga. Geralmente textos complementares serão sugeridos ao longo das unidades. Não há muito problema, nesse momento, caso você ainda não possua o livro. (Lembrando que ele está disponível, em PDF, na Plataforma).

História Medieval

- Leitura do capítulo 1 do livro “Civilização feudal” (Cf. BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano mil à colonização da América. São Paulo, Globo) já disponível na plataforma: (após fazer o log in, acessar: http://graduacao.cederj.edu.br/ava/mod/resource/view.php?id=45702 ). Trata-se do capítulo 1, cujo título é “Gênese da sociedade cristã: a alta Idade Média”.

- Como no capítulo estudado há um debate historiográfico sobre o fim da escravidão em Roma Imperial, algumas tendências estarão expostas livro. Para tentar clarear – e adiantar – alguma dúvida, sugiro uma rápida leitura ao artigo do Professor José D’Assunção Barros, “O que é uma “escola” na historiografia? – Um paralelo com a Filosofia” Eis o resumo:


Este artigo tem como objetivo discutir o conceito de "escola" na historiografia, abordando suas implicações e seus desdobramentos, e contrastando esse conceito em relação a outros, normalmente, utilizados para constituir a identidade teórica dos historiadores. Um paralelo com a Filosofia, evocando exemplos pertencentes tanto a esta área de estudos como também à historiografia, é o caminho aqui empregado para melhor delimitar o conceito de "escola".
Palavras-chave: Annales; Historiografia; História serial; História quantitativa.

- Produção de respostas (opcional e sem necessidade de entrega ou envio) da atividade sugerida na Plataforma, a saber:

1- Explique a relativização da expressão "invasões bárbaras" feita por Baschet.
2- Sistematize a discussão historiográfica sobre o fim da escravidão produtiva. Observe que vários autores discordam com relação ao por que, quando e como esse tipo de escravidão acabou.
3- Analise o processo de cristianização dos povos pagãos, seus agentes e estratégias.


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14.1.17

[Diário da Liberdade] Quem são os pós-modernos e por quais motivos lutam contra eles os marxistas

Existe uma atual discussão sobre noções da pós-modernidade. Muito embora esses debates se resumam ao conceito de “pós-moderno”, parece que o termo também ganhou a função de “coringa”, ou seja, serve a qualquer proposta alternativa que possa se sustentar frente a uma dualidade que não apresenta muita sustentação teórica.

Frente às questões levantadas por essa corrente, existe aquela que nutre, digamos, uma “desesperança” frente às propostas propagadas ao longo dos últimos tempos para a superação do capitalismo como modelo econômico e social. Assim, gerou-se um “relativismo” às latentes questões sociais que buscavam a supressão da luta de classes como motor da História.

O texto abaixo – “Quem são os pós-modernos e por quais motivos lutam contra eles os marxistas” –, de Diego Grossi, publicado originalmente no Diário da Liberdade, busca dialogar com essa concepção apresentando seus conceitos introdutórios, bem como busca traçar um paralelo entre a vertente e o marxismo.



Quem são os pós-modernos e por quais motivos lutam contra eles os marxistas

[Diego Grossi] Veja dez considerações introdutórias sobre o que é o pós-modernismo.

A partir do processo em que as jornadas de junho de 2013 foram a expressão mais notória o Brasil vem vivendo um momento de acirramento da mobilização das massas em torno dos conflitos políticos. Um importante segmento social a se destacar nessa cena vem sendo aquele oriundo das camadas médias, que vêm oxigenando tanto forças à direita (a partir de forte inclinação ao fascismo) quanto à esquerda, em que uma das expressões, com base especialmente entre os meios estudantis, está na formação de coletivos identitários influenciados pelo pós-modernismo. Com forte caráter anticomunista, latente ou declarado, estes segmentos pós-modernos vêm disputando espaço com militantes marxistas. Todavia, é frequente por parte de pessoas influenciadas pelo pós-modernismo a fuga das críticas, alegando uma suposta banalização do conceito de "pós-modernismo" ou se ancorando num alegado dogmatismo por parte dos críticos que, dizem, chamariam de "pós-modernismo" qualquer coisa que fugisse da sua "ortodoxia sobre luta de classes" (sic). Então é necessário não só desmontar esse espantalho como ainda apontar, resumidamente, as principais críticas do marxismo ao pós-modernismo hoje.

1 - De fato o termo "pós-modernismo" é amplo por si mesmo, afinal, não designa uma escola de pensamento em específico e muito menos um movimento conscientemente organizado (nem há consenso entre seus críticos, mesmo no campo do marxismo). Existem vários autores sob seu guarda-chuva, assim como divergências entre estes, além do fato de poucos aceitarem o rótulo de "pós-moderno" (ou, o que é linguisticamente mais preciso, "pós-modernista"). Por isso, de início, vale considerar o pós-modernismo como um "fenômeno"; algo que se dá a partir de determinadas condições objetivas e que, apesar dos seus agentes reprodutores nem sempre terem consciência do fato de estarem inseridos no mesmo, possui uma série de características que, relacionadas entre si, permitem identificar uma manifestação de tal fenômeno e assim classificá-lo.

2 - Mas por qual motivo classificar esse fenômeno como "pós-modernismo"? Grosso modo pelo fato de partir de uma premissa cara aos seus primeiros formuladores: a suposta superação do que chamam de "modernidade". Para os pós-modernistas "puro sangue” a sociedade "moderna", do capitalismo industrial e baseada nos valores oriundos do iluminismo, teria sofrido profundas mudanças qualitativas e quantitativas que teriam levado a modernidade à superação - logo, viveríamos numa "era pós-moderna". Assim, quando se aponta que alguém é "pós-moderno" (e, talvez fosse mais correto chamá-lo de "pós-modernista") está se falando em algo como "apologista do pós-modernismo"; ou seja, de alguém que, conscientemente ou não, abraça a ideia de superação da "modernidade" por essa tal nova sociedade "pós-moderna" e projeta-se politicamente com base nesse princípio. Discordarmos dessa premissa - pois, ainda que com importantes mudanças, o modo de produção capitalista continua a manter suas principais caracterísicas, inclusive o conflito entre capital e trabalho como centro das contradições - e por isso acusamos sua existência, mesmo que implícita.

3 - Todavia, é importante destacar que não é uma polêmica meramente nominalista. Não seria tão problemático (ainda que, dependendo da abordagem, continuasse a ser problema) dizer que as mudanças existentes no capitalismo marcariam uma transição profunda para "novos tempos". O problema maior é a conclusão derivada: se a sociedade "moderna" estaria superada, os projetos políticos e ideológicos fundamentados na mesma também! Tais projetos seriam, basicamente, aqueles oriundos do iluminismo, baseados em noções como o uso da razão e da ciência como instrumento de compreensão da realidade, a busca por valores (como liberdade e igualdade) universalmente válidos, entre outros. No campo de "ideologias modernas" supostamente superadas por se basearem numa "modernidade" não mais existente (alegam) estaria o marxismo. Portanto, os pós-modernos (ou pós-modernistas) incorrem em um anticomunismo distinto daquele conservador ou reacionário. Para eles a "modernidade" estaria superada - como se algo tivesse passado da validade. Não seria questão de negar sua edificação em prol de conservar algo antigo, mas de constatar sua superação.

4 - Apesar das primeiras grandes manifestações pós-modernistas serem, grosso modo, vistas massivamente nos anos 1960 e 1970, é com a queda da União Soviética em 1991 que o pós-modernismo tem grande difusão. Segundo os aspirantes a coveiros da História, a queda da URSS demonstraria que os projetos "modernos" estariam superados. A última esperança oriunda do iluminismo, o socialismo, teria, aí, uma pretensa prova da sua falência.

5 - Assim, a humanidade não teria mais nenhum projeto capaz de ser universal e responsável por unificar as mais diversas demandas sob um programa geral (como a luta de classes contra o capitalismo pelo socialismo faria ao interligar a questão colonial, negra, de gênero, etc. à luta anticapitalista). Caberia, portanto (segundo os "pós-modernistas"), a cada "minoria" lutar por si mesma de acordo com suas próprias necessidades sem se preocupar com as demais questões.

6 - O pós-modernismo sustenta, dessa forma, uma espécie de "egoísmo coletivo": solidariedade exclusiva com os que compartilham das mesmas opressões. Vem sendo frequente nos meios militantes influenciados pelo pós-modernismo expressões como "não me silencie" ou "não roube meu protagonismo", por exemplo; que, apesar de parecerem exigir uma solidariedade inquebrantável, não passa de apologia do egoísmo - já que qualquer intervenção “externa” divergente, ainda que positiva e propositiva, incorreria, necessariamente, em reprodução de interesses de opressão.

7 - Portanto, é importante notar que o que separa marxistas-leninistas e pós-modernistas não é o apoio ou não às lutas das chamadas (frequentemente de forma errada) "minorias". O marxismo luta por "minorias" desde muitas décadas antes do pós-modernismo existir. Enquanto liberais como Locke, Montesquieu e até mesmo Stuart Mill justificavam, em maior ou menor escala, a escravidão, Marx foi um grande crítico dessa instituição. Engels, numa das obras mais seminais do marxismo, "A origem da família, da propriedade privada e do Estado", inspirado nos socialistas utópicos, deu papel de destaque à questão da mulher ao notar que na origem da propriedade privada estaria também o "pecado original" que estabelecia o domínio dos homens sobre as mulheres. O Dia Internacional da Mulher foi obra da II Internacional a partir da proposta da comunista Clara Zetkyn. Um dos grandes mecanismos que permitiu o sucesso do socialismo no século XX foi a capacidade da III Internacional (Internacional Comunista) dar resposta à luta dos povos oprimidos contra o neocolonialismo. Graças à postura dos comunistas, era comum que qualquer militante do movimento negro dos EUA fosse chamado de "bolchevique". Apesar da questão LGBT ter recebido tratamento inadequado por parte considerável dos marxistas (inclusive na obra de Engels citada), hoje países como Cuba vêm corrigindo essas falhas. Os marxistas sempre lutaram e continuarão a lutar por qualquer bandeira que se mostre justa.

8 - Porém, mesmo com contradições profundas entre as perspectivas de tipo marxista e as pós-modernas não raro as críticas sobre pós-modernismo recaem também em cima de alegados militantes socialistas. Sobre isso é importante notar o que foi dito no primeiro ponto: pós-modernismo enquanto fenômeno passível de ser identificado por determinadas características. O Brasil historicamente recebeu e produziu expressões liberais bem conservadoras. Aqui qualquer bandeira progressista tende a ser relegada à esquerda socialista (ou que se alega como tal). Pessoas que defendem tais bandeiras geralmente não encontram espaço fora da esquerda e, assim, acabam fazendo uma mixpórdia de ideologias na sua própria cabeça.

9 - Algumas características que permitem identificar a manifestação do fenômeno pós-modernista nos meios militantes aparecem "originalmente" como fundamentações teóricas e ideológicas que dão sustentação à premissa principal sobre uma suposta superação da modernidade, como: a) negação da ciência (nítida na acusação de que a ciência seria "uma invenção da sociedade ocidental patriarcal opressora" ou no apontamento de que qualquer debate teórico seria "academicista"); b) a contestação sobre a existência de verdades universalmente válidas (muito presente, de forma implícita, na sacralidade da "vivência", em que cada um teria a "sua verdade", que não poderia ser cientificamente constatada ou refutada enquanto uma "verdade única"); c) o culturalismo, mecanismo excelente de negação da realidade objetiva em prol das questões subjetivas; d) a redução na realidade aos discursos produzidos sobre a mesma (assim, por exemplo, buscaram combater uma opressão estrutural mudando os discursos ao pretenderem apagar o gênero das palavras usando uma letra “neutra”, o "x”, no lugar de vogais tidas como masculinas e femininas - de alunos/alunas para “alunxs”); e) a diluição de noções de "poder" e "política" (enquanto para o marxismo nenhum dos dois pode ser descolado do conceito de Estado, para pós-modernos, talvez a partir de Foucault e suas ideias sobre "micro-poderes", pautas como “empoderamento individual” aparecem em detrimento do controle do poder em torno do Estado); f) o já comentado egoísmo coletivo, no qual as lutas contra as opressões sobre "minorias" não são dadas a partir de uma constatação objetiva da realidade concreta julgada por valores universais, mas sim como questões de ordem moral; e g) o multiculturalismo e a tosca ideia de que um elemento cultural é propriedade privada de um povo e que se não for assim há "apropriação cultural" (o que tem muito a ver com os já comentados multiculturalismo e negação da universalidade).

10 - Por conta da dificuldade encontrada pelos pós-modernos no que concerne à defesa de seus absurdos, é cotidiano que se esquivem do debate ao bradarem acusações de que todos os críticos seriam conservadores ou pessoas interessadas na manutenção de “opressões” - o que vem gerando, inclusive, episódios de agressão (aberta ou não - como campanhas caluniosas contra mulheres e homens comunistas). Entretanto, basta uma breve consulta bibliográfica para constatar o contrário. Grandes nomes progressistas das ciências humanas e sociais, brasileiras e internacionais, como Ellen Wood e Ciro Flamarion Cardoso, possuem vasta obra de críticas que vão dos fundamentos epistemológicos até os movimentos sociais/seitas pós-modernistas. Logo, combater o pós-modernismo é tarefa de qualquer um que acredite que existe uma realidade objetiva que não só pode ser compreendida através da razão e da ciência, como também transformada e melhorada a partir dos resultados dessa compreensão - especialmente da parte da militância marxista. Afinal, o pós-modernismo é, como foi comentado, inerentemente anticomunista nos fundamentos epistemológicos e nas ações propostas. O que está em jogo não é a defesa ou não das lutas e dos movimentos de “minorias”, mas sim a forma de fazê-la. Enquanto marxistas propõe, de um lado, fazê-la a partir da integração dos setores progressistas da sociedade sob um programa de caráter emancipatório universal baseado no acúmulo do conhecimento geral de toda a humanidade e na análise científica da sociedade; pós-modernos reduzem-na a seitas identitárias que tomam como dever apenas a luta da própria “minoria” (e que frequentemente entram em contendas entre si para disputar o lugar de “oprimido por excelência”), abrindo mão do conhecimento humano acumulado e da ciência em prol da abordagem apenas moral da opressão, incorrendo, por vezes, na própria oxigenação com base na manutenção do mero ódio contra aqueles que não compartilham diretamente da mesma opressão, levando a um modus operandi que não raro flerta com as práticas do fascismo clássico.

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Sugestões bibliográficas introdutórias para quem estiver buscando ter uma visão dos diversos aspectos do fenômeno e entender tal conceito, desde seus fundamentos teóricos até os motivos de divergência com os marxistas:

- CARDOSO, Ciro Flamarion. Epistemologia pós-moderna, texto e conhecimento: a visão de um historiador. Disponível em: http://www.uem.br/dialogos/index.php?journal=ojs&page=article&op=viewArticle&path[]=290>. Acesso em 10 jan. 2017.

- CARDOSO, Ciro Flamarion. História e paradigmas rivais (parte do livro "Domínios da História"). Disponível em: https://www.dropbox.com/s/8fwntn9be13vv0o/HIST%C3%93RIA%20E%20PARADIGMAS%20RIVAIS%20Ciro%20Flamarion%20Cardoso.pdf?dl=0. Acesso em 10 jan. 2017.

- WOOD, Ellen. Em defesa da História: o marxismo e a agenda pós-moderna. Disponível em: www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo262Art1.8.pdf.

Sobre o marxismo-leninismo e as lutas contra as diversas opressões vale consultar:

LOSURDO, Domenico. Revolução Russa e democracia no mundo. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/viewFile/1807-1384.2015v12n1p361/29669. Acesso em 10 jan. 2017.

*Diego Grossi é mestre em História pela UFRJ.

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26.11.16

[CEC] Gabarito 60

Gabarito da prova nº 60
Disciplina: História
Turma: 705

Questão 1. O aluno precisa caracterizar “colonização” não só como uma forma de ocupação do espaço por colonos, mas também pelo desenvolvimento de todo um aparato administrativo local e de uma forma de obtenção de lucro na terra ocupada.

Questão 2. Letra "a".

Questão 3. Questionar o “descobrimento” consiste, dentre outras questões, questionar o processo de ocupação europeia do território brasileiro. Essa ocupação, como se sabe, ocorreu de forma não amistosa, sobretudo após o período pré-colonial. É necessário citar a imposição dos costumes e das crenças dos europeus sobre os nativos.

Questão 4. Letra "c"

Questão 5. Letra a) O açúcar era um produto de elevado valor na Europa. O Brasil reunia diversos fatores que favoreciam o cultivo da cana no território, dentre os quais é possível citar: mão de obra (escrava) disponível, clima favorável, solo vasto, financiamento holandês e o know-how.

Letra b) Portugal já havia desenvolvido a cultura do cultivo de cana nas suas colônias na África.

Questão 6. Escambo, que consistia na troca de trabalho por quinquilharias.

Questão 7. Letra "c".

Questão 8. Letra "d".


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18.11.16

[CEC] Gabarito 66

Gabarito da prova nº 66
Disciplina: Sociologia
Turma: 1003

Questão 1.
a) SUGESTÃO DE RESPOSTA: Nesta questão o aluno deveria mencionar que, dentre outros fatores, há um estigma no campo cultural que atribui às classes mais abastadas (mais ricas) a tarefa da produção da cultura. Dessa forma, aquilo que é produzido pelos mais ricos é visto como válido, ao passo que a cultura popular é marginalizada ou inferiorizada.

b) SUGESTÃO DE RESPOSTA: O aluno deve mencionar nesta questão que a solução do problema passa pela criação de programas (governamentais ou não) de valorização da cultura nacional e popular. Também pode mencionar que é necessário criar condições em todas as esferas (educação e cultura, por exemplo) para que as expressões populares ganhem maiores espaços de exposição.

Questão 2. Letra “a”

Questão 3.
SUGESTÃO DE RESPOSTA: Esta questão deve conter, necessariamente, a ideia de superioridade do colonizador frente ao colonizado. Ou seja: no caso específico abordado na questão, o Europeu se sobrepôs ao nativo brasileiro. Dessa maneira – e ao longo dos anos – perpetuou-se a ideia de que a cultura brasileira era aquela trazida pelo estrangeiro, e não aquela produzida pelos nativos que já habitavam nosso território.

Questão 4. Letra “d”

Questão 5. Letra “c”.


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2.11.16

[UniRio] Subsídios para o encontro do dia 05 de novembro

Amigos:

Como conversamos no último encontro, sugiro fazer um debate comparativo e de contraposição de conceitos sobre Imperialismo na aula de História Antiga. Para tanto, solicitei a quem se sentisse à vontade, que levasse alguma obra de fonte conhecida que tratasse desse tema, sem obrigatoriedade do tempo histórico, ou seja, não há necessidade de que a obra trate, especificamente, do Imperialismo Romano, por exemplo. A ideia é travar um debate sobre como os conceitos também são construídos a partir das conjunturas históricas.

Também peço que leiam o artigo disponibilizado na plataforma, cujo título é: "A Experiência Imperialista Romana: Teorias e Práticas" (que, logado, você pode baixar diretamente aqui).

Por fim, fundamental ler e apontar questionamentos na aula 20 do material impresso, cujo título é: “Imperialismo e Romanização:: nós e os clássicos”.

Quanto ao conteúdo de Medieval, partiremos para uma sistematização dos conteúdos que versam sobre o Império Islâmico, a expansão árabe na Península Ibérica etc, por uma questão de adequação ao cronograma visando a AP2. Importante, pois, que o material impresso esteja lido por completo.

Abraços!

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23.10.16

[CEC] 2º ANO Trabalho de Filosofia.

Atenção alunos da 2003:

Já está disponível o trabalho de Filosofia do Quarto Bimestre, cujo valor máximo é de 4,0 pontos. O prazo de entrega é 10/11/2016, com envio pelo site (e apenas por ele) até às 23:59h. Todos os trabalhos recebidos após o prazo, serão desconsiderados, mesmo que a página aceite a submissão.

Boa sorte e faça com atenção!

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17.10.16

[CEC] 1006 - Trabalho de História - Islamismo

Material de auxílio para o trabalho de História

Assista aos trechos selecionados da palestra do professor Leandro Karnal, cujo tema é “Religião – Temor e tremor” (se você quiser assistir ao vídeo completo, com 1h42min, clique aqui).

Atenção: para a realização deste trabalho, você só precisa assistir ao trecho do vídeo que vai de 7 minutos e 17 segundos até 15 minutos e 09 segundo.


Reparem que em sua fala o professor evoca o livro “Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente”, de Edward Said. Dois trechos merecem destaque:


“... no livro Orientalismo [Edward Said] fala como nós destacamos no outro o fanatismo, o erotismo, a violência e tudo aquilo que é negativo no outro. E ele faz uma referência às odaliscas [...] e a toda tradição do orientalismo...”.

“A violência entre nós – e ninguém nega que ela exista e seja forte – só pode ser uma violência acidental. Os nossos loucos são acidentais; os nossos loucos são psicopatas individuais que matam ou que exercem a sua loucura, enquanto que a violência do outro é uma violência endêmica, sociológica... Ou seja, tendemos, de forma preconceituosa – e isso é um equívoco absoluto – a achar que sim, temos violentos, mas esses violentos são psicopatas, individuais. E o outro é violento, a sociedade do outro é violenta endemicamente”.

Após isso, o professor apresenta alguns exemplos de citações fundamentalistas, sobretudo nos EUA. Entre eles, a proferida num telejornal de grande audiência naquele país, onde a apresentadora, sugere que
“Nem todo muçulmano é terrorista, mas todo terrorista é muçulmano”.
Diante do exposto, apresente alguma justificativa para a visão ocidental sobre o Islamismo na contemporaneidade.

O texto deve ser entregue na folha disponibilizada e entregue em aula. O trabalho deve ser feito de forma individual e entregue até a data combinada em sala. Nenhum trabalho será aceito após a data acordada.

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22.9.16

[UniRio] Subsídios para as aulas do dia 24/09.


Primeiro momentos das duas disciplinas: comentários sobre a AP1. Resolução e debate sobre as questões das provas.

História Antiga

Aula: “Roma e Itália: o espaço, a ocupação humana e a urbs no período arcaico”
Levantamento e problematização do texto de aula;
Comentário do texto “A Roma das origens: os deuses, o homem, o rei”, disponível na plataforma, cuja leitura é altamente indicada.

História Medieval

Aulas “O Império Bizantino. Teocracia e fundamentos religiosos do poder imperial” e “O Império Bizantino. Estruturas político-econômicas”.
Levantamento e problematizações do texto de aula.

Até sábado.

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20.9.16

[CEC] 8º ano - Treino para a prova

Pessoal:

Este é um teste para a prova mensal. Não é uma atividade obrigatória, mas é importante que vocês tentem realizá-lo com atenção e dedicação. Os temas abordados foram todos estudados exaustivamente em sala. Você ainda tem a possibilidade de pesquisar no seu livro ou de recorrer à aula de revisão, anterior à prova.

Realize o teste e depois comente o seu resultado com os colegas, verificando os pontos que precisam de maior dedicação.

Boa sorte.



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19.9.16

[CEC] 7º ano - Treino para a prova


Pessoal:

Como comentado em sala, segue abaixo um pequeno exercício sobre os temas da nossa próxima prova. Faça-o com atenção, revise suas respostas e, depois de enviar, confira seu progresso, comentando com os colegas quais são as suas dúvidas ou certezas sobre os temas.

Lembro mais uma vez que é uma atividade opcional, ou seja, não há diminuição de nota para quem não fizer.



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[CEC] 6º ano 603 - Treino para a prova



Amigos:

Como comentei em sala de aula na última sexta-feira, este teste NÃO É OBRIGATÓRIO, mas uma boa forma de estudar e ainda rever alguma questão antes da avaliação oficial, na sexta-feira, dia 23/09.

A aula de terça-feira, dia 20/09, será para revermos todo o conteúdo. Evitem faltar. Também na prova, evitem ausências, já que somente faltas justificadas e dentro de um limite de tempo serão aceitas para realização de segunda chamada.

Lembro, ainda, que, caso as dúvidas persistam, temos as aulas de reposição e plantão tira-dúvidas às quintas, de 7h às 11h., na sala 50!

Faça o teste abaixo e depois comente seu desempenho com os colegas!


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8.9.16

[CEC] 1º ano 1003 - Slides de Sociologia

Rapaziada:

Mesmo que a turma de vocês não conste na lista de reposição de conteúdos por conta da greve, precisamos avançar um pouco no conteúdo. Por isso – e para adiantar – disponibilizo para estudo e debate os slides da aula da última sexta-feira e já os da próxima aula (do dia 09/09). Basta clicarem nos links abaixo para terem acesso ao download.

Slide da aula 1 – Introdução à sociologia.
Slide da aula 2 - Sociologia e senso comum.
Slide da aula 3 - Os primeiros sociólogos.
Slide da aula 4 - Sociologia brasileira.
Slide para prova de 18/11 - Cultura e diversidade cultural

Qualquer dúvida ou problema, digam aí.

Abraços

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29.8.16

[CEC Rep] 2º ano - Subsídios para as aulas de Sociologia

Tema: “Cidadania: uma questão de direitos
Turmas: ProEMI 2003 e 2005

Considerando nossa conversa ainda sobre o tema “Cidadania”, seguem alguns subsídios citados em aula além da proposta de trabalho pontuado também já apresentado.

Para conhecer um pouco mais sobre a vida e obra de T. H. Marshall, sugiro as seguintes páginas:

1. Biografia: http://autores-obras-sociologiajuridica.blogspot.com.br/2013/03/thomas-humphrey-marshal.html
2. Artigo “Cidadania e Classe Social”: http://www.sociologiapopular.com/2015/05/thomas-marshall-cidadania-e-classe.html

Para ter acesso à íntegra da Declaração Universal dos Direitos Humanos, acesse a página http://www.dudh.org.br/declaracao/

Para conhecer mais sobre o livro “Cidadania no Brasil: um longo caminho”, acesse o Google Books: https://books.google.com.br/books/about/Cidadania_no_Brasil.html?id=tE2HAAAAMAAJ&redir_esc=y&hl=pt-BR

Para ler a biografia do autor, acesse http://www.academia.org.br/academicos/jose-murilo-de-carvalho/bibliografia

PROPOSTA DE ATIVIDADE PONTUADA

Valor: 4,0 pontos
Data da entrega: até o dia 13/09 para a turma 2003 e até o dia 14/09 para a turma 2005. Não serão aceitos trabalhos entregues após estas datas.

Questão Única

Você verificou a partir das aulas que o conceito de cidadania sofreu – e ainda sofre – uma construção, ou seja, ele não nasceu pronto. No entanto, deve ter percebido que existem questões ainda distantes do nosso dia a dia como, por exemplo, acesso a direitos nos campos da saúde, educação etc. Verificamos também que existem Leis que garantem aos homens liberdades políticas, de opinião e religiosas.

Busque, através de uma pesquisa, eventos que mostrem que essas garantias ainda não acontecem plenamente no Brasil. Após isso, construa um texto de pelo menos 15 linhas problematizando a questão da cidadania em nosso país.

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27.8.16

[CEC Rep] 1º ano Antiguidade Clássica

ATENÇÃO: Este texto foi entregue em folha na sala. Se você não recebeu, solicite um cópia ao professor.
AULAS PROGRAMADAS PARA A TURMA 1006

Civilização Romana: Formação

Localizada na Península Itálica, expandiu-se para grande parte da Europa, Oriente e norte da África, tornando-se uma das mais gigantescas civilizações da História da Antiguidade Clássica.

Teorias de formação

São duas as teorias de formação de Roma. A Origem mitológica, narrada pelo poeta Virgílio, na Eneida, fala sobre os irmãos Rômulo e Remo. Já a Origem histórica, fala da fusão de povos, entre os quais os lígures e os séculos (autóctones) e os indo-europeus, como os Etruscos (norte), Latinos (centro) e Gregos (ao sul, provenientes da 2ª diáspora)

MONARQUIA - 753 a. C. - 509 a. C. - - Formação (revolta patrícia); poucas fontes.
REPÚBLICA - 509 a. C -27 a. C. - -  Período mais abordado
IMPÉRIO- 27 a. C. – 476 d. C. - - Período mais retratado, com farta fonte histórica

MONARQUIA

Por se tratar do período mais longínquo da História de Roma, é também aquele que menos fontes históricas dispõe. O que sabemos é que a organização social era censitária, baseada na posse da terra. Formavam-se aí genos, pequenas comunidades familiares aos moldes daquelas que ocorreram também na Grécia.

Algumas considerações sobre a pirâmide social romana:

A primeira coisa é entender que os Patrícios, ou seja, os latifundiários que estacionavam no topo da pirâmide social, precisavam possuir terras por duas gerações. Isso quer dizer que, para ser Patrícios, era necessário, antes, ser neto de Patrício. Essa medida restringia bastante o status social e transformava esse patamar social bastante difícil de ser alcançado.

Outra questão muito importante se refere aos escravos. Quando nos deparamos com uma pirâmide social, temos a ideia de que suas divisões também representam quantidade. Logo, no desenho apresentado, pode-se ter a ideia de que a parcela de escravos é a que possui maior quantidade de indivíduos, o que, nesse momento, NÃO é verdade. Os escravos constituem uma pequena parcela da população nesse momento da História de Roma. Eles, no entanto, são os maiores responsáveis pelo trabalho, daí a ideia de que o Modo de Produção Romano é Escravista. Os escravos até então eram contraídos por dívidas não pagas (e aí a escravidão era eterna!) ou através de guerras vencidas pelos romanos. Enfim, para esse caso específico de Roma, o mais interessante na representação gráfica seria um “losango social” no lugar da pirâmide.

REPÚBLICA

A República é, sem dúvida, a fase romana mais abordada nos vestibulares. A explicação é simples: é um período de extensas mudanças no quadro político e social.

Ela se forma a partir de uma revolta dos Patrícios, ocorrida por volta do ano 509 a. C.. A República, portanto, representa a fase do poder Patrício. Esse poder, no entanto, era dividido da seguinte forma:

CONSULADO (Poder Executivo)
Dois Cônsules com mandato de um ano eleitos com voto direto e censitário.

SENADO (Poder Legislativo)
Momeado pelo Consulado, era composto por 300 Patrícios que podiam convocar a Ditadura, uma espécie de governo militar que governaria sem limites por seis meses (prorrogáveis por mais seis) em caso de tensões sociais.

MAGISTRADOS (todos eleitos)
Eram dividos em: Pretores (o Poder Judiciário); Censores (cuidavam da divisão por renda da sociedade); Edis (eram administradores municipais); e Questores (tesoureiros).

As eleições dos Pretores, Censores, Edis e Questores, aconteciam por meios das Assembleias Centuriais. Elas eram compostas da seguinte maneira:

98 Centúrias Patrícias = 9.800 votos (porque 98 x 100 = 9.800);
95 Centúrias Plebeias = 9.500 votos.

Mole perceber que jamais um representante Plebeu conseguiria uma eleição para um cargo Magistrado. Não há isonomia na eleição romana do período.

Sociedade na República

Como já foi mencionado, a sociedade republicana em Roma era escravista, mas não pelo número de escravos, mas pela divisão social. ela também era patriarcal. Isso significava que, para um romano ser considerado cidadão pleno, era necessário ter família e, depois, filhos. Esses filhos eram propriedade do pai, que pode ou não reconhecê-los e testá-los.

O período republicano também foi marcado pelas lutas sociais dos Plebeus. Excluídos do todo político, esse grupo rivalizou com os Patrícios na intenção de conseguir mais terras, o que garantiria maiores direitos. Em 494 a. C., os Plebeus organizaram uma greve geral que deu origem a reformas legislativas. Esse período marca a conquistas de alguns direitos, entre os quais:

- Criação do cargo de Tribuno na Plebe (2 Plebeus e, mais tarde 10, que tinha o poder de veto sobre o Senado);
- As leis passaram a ser escritas, o que garantia maior fidelidade e isonomia entre todos. O primeiro código de leis foi a Lei das XII Tábuas;
- Igualdade jurídica (base do Direito Romano e atual);
- Lei Licínia Sêxtia (todas as terras conquistadas por Roma seriam destinadas aos Plebeus além de garantir que um dos dois cônsules eleitos deveria ser Plebeu);
- Lei Canuleia (garantia liberdade para o casamento entre Patrícios e Plebeus);
- Fim da escravidão por dívida (o que gerou grande impulso à expansão romana);
- Lei Hortência (garantia que decisões tomadas por Plebeus em assembleias populares – os plebiscitos – teria valor de lei).

Guerras Púnicas (246 – 146 a. C.) “Mare Nostrum”

As Guerras Púnicas foram conflitos que envolveram os Romanos e os Cartagineses (Fenícios do norte da África, também conhecidos como Punis). Roma vence a guerra em três batalhas e varre Cartago do mapa. Após a vitória, a terra é salgada, o que passa mensagens aos derrotados e futuros desafiadores do exército Romano: a primeira é de que Roma não precisa de terras, uma vez que terra salgada é terra infértil; a segunda é de que Roma esbanja poder econômico, já que o sal é uma especiaria cara.

Mesmo em vigor, a Lei Licínia Sêxtia não é respeitada e as terras conquistadas não são divididas entre os Plebeus. Assim, há a formação de latifúndios que ficam nas mãos dos Patrícios e, principalmente, dos Generais. Essa fase é conhecida como militarização do Roma, uma vez que militares que conseguem terras, viram Patrícios e podem se transformar em Senadores.

Atentem para o fato de que quanto mais terras Roma conquista, mais escravos ela possui. Nesse sentido, o camponês, aquele que vive da terra, fica ocioso e é obrigado a migrar para a cidade (êxodo rural). Essa ampliação de terras – que podemos chamar de colonialismo romano – leva a um controle inflacionário, uma vez que + terras >> + produtos >> + escravos >> - preço. Os Plebeus, por sua vez, sem terras, ficam ainda mais prejudicados financeiramente.

É nesse cenário de empobrecimento da Plebe, que sua representação ganha força e forma. Do ano de 131 a 121 a. C., os irmãos Graco, talvez os mais importantes Tribunos da Plebe, empreendem um projeto de reforma agrária. Em 131 a. C., Tibério Graco propõe e Lei Agrária que objetivava o cumprimento da Lei Licínia, sob o argumento de que “terra ocupada, era terra protegida”, ou seja, a distribuição de terras aos Plebeus garantiria também proteção territorial.

Obviamente, Tibério recebeu forte oposição no Senado, sobretudo dos Generais, acabando por ser assassinado.

Já em 123 a. C., o irmão de Tibério, Caio, propõe uma nova Lei Agrária (nos mesmos moldes da anterior) e a Lei Frumentária, que obrigava o governo a subsidiar o preço do trigo (lembrando que pão e vinho para um romano eram essenciais). Não conseguindo a aprovação e prática da Lei, Caio se suicida em forma de protesto. Em Roma, o suicídio era a maior forma de protesto existente.

O suicídio da Caio leva a uma grande revolta plebeia, que vai do ano de 121 até 110 a. C.

Crise na República

A série revoltas plebeias ocorridas entre os anos de 121 e 110 a.C. levaram a República a ameaça de uma guerra civil. Se lembrarmos de que o Senado tinha o poder de instalar a Ditadura para controlar tensões sociais, melhor momento para isso não existia. No entanto, esse período que deveria durar no máximo um ano (6 meses + 6 meses), se estende por muito mais tempo. Vejamos quais foram os ditadores:

GAL. MÁRIO (110 – 86 A.C.)
Tio de Júlio César. Perseguido pelo Senado por conta de suas práticas personalistas.

Retira o poder do Senado e empreende uma reforma militar, abrindo o exército aos Plebeus. Institui o soldo, ou seja, o pagamento em sal para os soldados. Esse pagamento não era realizado pelo Estado, ficando a cargo dos próprios Generais. Assim, o vínculo entre a elite militar e os soldados aumentava, logo, o poder dos Generais também. É a ampliação da militarização de Roma.

GAL. SILA (82 – 79 A.C.)
Momento da restauração republicana.

Mais ligado aos Patrícios, Sila empreende uma perseguição aos seguidores de Mário além de devolver o poder de deliberação ao Senado.

GAL. CRASSO (73 – 71 A.C.)
Controlados da Revolta de Sparthacus.

Durante os anos de 73 a 71 a. C., os escravos romanos se revoltaram e o Gal. Crasso foi incumbido de resolver a situação. A impressão que se passava nesse momento era que somente militares conseguiria estabelecer a ordem em Roma.


Nesse cenário de intensa militarização, ocorre, em 60 a. C., mais uma eleição para o consulado e dois Generais são eleitos: Pompeu e Crasso. Lembremos que Generais são Patrícios e a Lei Licínia também exigia que ao menos um Cônsul deveria ser Plebeu, o que não ocorreu nessa eleição. Ela, portanto, foi vista como uma eleição golpista. Somente o apoio popular garantiria os dois Generais no poder.
A solução encontrada foi a criação de um Triunvirato, ou seja, governo formado por três pessoas. O nome certo para essa composição era o de Júlio César, General adorado pela Plebe. Júlio geralmente andava pelas ruas de Roma com moedas nos bolsos para distribuí-las junto aos pobres e necessitados; é por isso que sua chegada efetiva ao poder é vista como o início da política do “pão e circo”.

1º Triunvirato: a divisão da República em três

Em 60 a. C. é instituído o primeiro Triunvirato. Estão no poder, além de Crasso e Pompeu, também Júlio César. Nesse momento o Senado é apenas um órgão figurativo. O acordo estabelecido entre os três governantes é de que um Triúnviro não pode entrar no território do outro Triúnviro com exércitos.

Em 54 a.C., o Gal. Crasso, na tentativa de ocupar terrar ao oriente, comente um erro que custa sua vida e passa à História como “um erra crasso”.

Júlio César, militar em essência e que combatia na Gália, é colocado na ilegalidade por Pompeu, que julga perigoso o aumento de poder por parte de Júlio, considerando-o uma ameaça. Ao receber a notícia, Júlio proclama o lema dos conflitos que seguiram: “Alea jacta est” ou “A sorte está lançada”. Marchando até Roma, cruza o Rio Rubicão com poderosos exércitos (a 13ª Legião, leal a Júlio César, é quase como o Bope da época!), força a fuga de Pompeu para o Egito. Considera-se esse momento como a Apoteose de Júlio César que, com seus exércitos e apoio popular, desfila em Roma.

A partir de 49 a.C., perdurando até 44 a. C., constatamos o início do Principado de César. Reparem que, ao contrário do que é comumente divulgado, Júlio César não foi Imperador de Roma. Nessa fase, ele é um autocrata, ou seja, concentra todos os poderes em suas mãos, além de acumular inúmeros títulos, como o de Ditador Perpétuo, Cônsul Vitalício e Primeiro Cônsul. Com forte oposição, é assassinado no Senado no ano de 44 a. C. proferindo a célebre frase “Até tu, Brutus?”.

2º Triunvirato

O segundo Triunvirato foi composto por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Entendendo o porquê dessa formação, temos em Marco Antônio um General egocêntrico, mas muito próximo a Júlio César. Era visto, portanto, como herdeiro natural após o assassinado de Júlio. Em Otávio, sobrinho de Júlio César, vemos uma jovem inexperiente em batalhas, mas muito inteligente. Já em Lépido, temos a fortuna romana, ou seja, o patrocínio do dinheiro à política.

Otávio, mesmo sendo sobrinho, foi testado por Júlio César, ou seja, foi considerado seu filho legítimo por testamento. Lembremos que isso é possível e até comum na Roma daquela época. Esse testamento, no entanto, coloca Marco Antônio em rota de colisão com Otávio. Eles, no entanto, decidem dividir o território imperial e formar um novo Triunvirato. Otávio fica com as possessões romanas. Marco Antônio exige o Egito, de olho na produção de trigo e na venda do produto a Otávio. A Lépido coube o oriente.

Marco Antônio no Egito logo se envolve com Cleópatra. Essa, por sua, já tinha se envolvido com Júlio César em vida e dado à luz a um filho de nome Cesário. Um filho “de sangue” pode ser visto como uma ameaça à herança de Júlio César a Otávio. Logo, a rivalidade entre Otávio e Marco Antônio é ampliada.

Otávio apela à xenofobia romana, ou seja, a aversão ao estrangeiro muito característica do império àquela época. Otávio divulga que o herdeiro de Júlio César não era romano e que Marco Antônio adora outros deuses. Finalmente em 31 a. C., na Batalha de Actium, Otávio derrota Marco Antônio e tira Lépido de cena, dando início ao seu principado, que vai do ano de 31 até 27 a.C. Nessa fase, Otávio alinha os poderes militar, político e religioso, recebendo o título de Primeiro Senador, Tribuno da Plebe, Sumo Pontífice e, por fim, Imperador. Essa fase da política romana pode ser dividida em duas: Alto e Baixo Império.

Alto Império: século I a. C. ao século III d. C.

Algumas características desse período são a militarização da sociedade e expansão da sociedade, o que, de certa maneira, deixa a plebe sem empregos.

Após Otávio, outros imperadores se revezaram no poder. Como nosso intuito histórico não é conteudista, a relação com os nomes de todos os personagens imperiais é desnecessária. Damos atenção mais às causas que vão levar ao enfraquecimento e posterior queda do Império Romano, no ano de 476, século V, portanto.

Baixo Império: século IV ao século V

O esquema abaixo traz as causas da degradação do Império Romano do Ocidente. Analise com atenção:

Pax Romana: Diminuição no ritmo de expansão coloca o modo de produção escravista em xeque. Os Generais, proprietários da maioria das terras, não conseguem administrar seus territórios.

Surgimento do Cristianismo: Monoteísmo cristão entre em choque com o politeísmo romano; a noção de divindade do Imperador foi questionada; a valorização não da vida material, mas da espiritual; a expansão religiosa entre os Plebeus; e a perseguição aos cristãos.

"Pão e Circo": O alto índice de desemprego entre os Plebeus podia gerar conflitos. Para conter essa ameaça, vários espetáculos eram realizados, bem como vários feriados eram decretados e alimentos distribuídos.

GRÉCIA

Parte do estudo sobre a Antiguidade Clássica dá ênfase à civilização grega. Esse também é um tema que já foi abordado em questões de Filosofia. Obviamente que a Grécia atual tem pouco da Grécia da Antiguidade. O desenvolvimento dessa civilização ocorreu na península balcânica, com litoral recortado e solo montanhoso. Esse tipo de solo prejudicava a agricultura, logo, os primeiros a se estabelecerem na região precisaram procurar novas formas de sobrevivência.

A partir do século XX a. C. uma onda migratória é verificada. Entre os povos que chegaram à região e formaram o que veríamos a chamar de “pré-Grécia” (ou civilização creto-micênica), estavam os Aqueus, os Eólicos e os Jônios, que tinham uma organização econômica baseada no comércio marítimo (talassocracia).

Já no século XV a. C., outros povos chegaram à região com destaque para os Dórios, povo que vivia de conquistas. Essa chegada forçou os creto-micênicos a fugir do sul para o interior (1400-1200 a.C). Esse movimento é conhecido como 1ª diáspora grega. Boa parte da História da Grécia nesse período é contada pelo poeta Homero, através de suas conhecidas obras A Ilíada e A Odisseia, por isso também podemos chamar o esse momento de período de transição do pré-homérico para o homérico.

A fuga para o interior do território deu origem à formação de pequenos grupos. Eles eram chamados de Genos (ou comunidade gentílicas). Portanto, os Genos eram pequenas comunidades familiares formadas após a 1ª Diáspora, tinham a propriedade coletiva da terra e, após crescerem de tamanho, tinham a liderança do Pater. A partir dos séculos X e VIII a. C.), verifica-se um crescimento demográfico que revela problemas com a falta de terras. Quando maior o aumento demográfico, maior a dificuldade em conseguir terras para a sobrevivência, já que o solo era montanhoso e ruim. É fácil prever que conflitos não tardariam a acontecer (acompanhe no esquema).

As comunidades gentílicas passaram, então, por um processo de atualização. Da união dos Genos, formaram-se as Fátrias que unidas, por sua vez, deram origem às Tribos. Da união das Tribos, surgiram as Demos.

A resolução para a falta de terras consistia na óbvia conquista de novas. Tem início a colonização grega que garante um apoio à expansão através do Mar Mediterrâneo e do Mar Egeu. É o momento da 2ª Diáspora Grega.

Surgem, junto com a colonização, a forma avançada das Demos: a Pólis (cidade-estado) que possuía autonomia política, econômica e militar. Eram independentes por conta da distância umas das outras e também por conta do montanhoso relevo, mas tinham uma base cultural comum como, por exemplo, a mesma língua e a mesma religião, a mitologia.

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18.8.16

[UniRio] História Medieval e História Antiga - Roteiro para 20/08


SUBSÍDIOS PARA O ENCONTRO DE 20/08

Amigos,

Considerando os cronogramas do curso, seguem alguns elementos que conversaremos durante o encontro do dia 20, próximo sábado.

HISTÓRIA MEDIEVAL

Além de continuarmos a contextualização sobre a dinâmica transformação que ocorreu na Europa, quando do fortalecimento de uma aristocracia rural que, gradativamente, tomava o lugar dos mandatários tradicionais, sobretudo após o esfacelamento do Império Carolíngio, daremos início à análise da cidade medieval, espaço de grande pujança cultural e social. Para isso, sugiro a atenta leitura da aula 3 do seu material impresso (cujo título é “As cidades medievais”) e o destaque de eventuais dúvidas e, principalmente, questionamentos.

Como material complementar, compartilharei com vocês da obra de HUNT & SHERMAN (“História do pensamento econômico”) que traça, dentre outros assuntos, um paralelo interessante, sob o aspecto econômico, da transição entre a cultura de subsistência e a ampliação do comércio com o desenvolvimento urbano a partir do século XI.

Chamo atenção a todos para a AD1 de Medieval, postada recentemente na plataforma. Ela é composta de quatro questões (2,5 pontos para cada uma) e é bastante trabalhosa. Portanto, fiquem atentos aos prazos. Utilizaremos boa parte de nosso encontro para tentar chegar a um acordo sobre algumas questões levantadas pela avaliação.

Por fim, ainda em Medieval, informo que o encontro terminará um pouco mais cedo, uma vez que existe a convocação para uma reunião do Departamento de História para às 11h.

HISTÓRIA ANTIGA

A proposta é continuar a compreender a formação das poleis gregas. Na ocasião daremos mais importância à concepção diferenciada que a Antiguidade Clássica tem em relação ao termo “cidade” em contraponto com nossa visão contemporânea, ou seja, cidade na Grécia não era, necessariamente, um espaço iminentemente urbano. Num segundo momento, a ideia é verificar a formação da polis de Atenas e sua influência sobre grande parte da Ática. Dessa forma, poderemos criar alguns contrapontos e problematizações sobre como, posteriormente, Atenas viria a prosperar sob uma cultura voltada para o intelecto.

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11.8.16

[UniRio] História Medieval e História Antiga - Roteiro para 13/08

CRONOGRAMA E SUBSÍDIOS PARA O ENCONTRO DO DIA 13/08


PROPOSTAS

História Antiga


O cronograma fala ainda do estudo da aula 13 do material impresso, ou seja, “Campo e cidade no mundo Helênico Arcaico”. A ideia é dar continuidade ao tema já iniciado sábado passado. A ênfase agora será no desenvolvimento das poleis gregas.

Na segunda aula, seguindo sugestão dos próprios alunos, dedicaremos tempo para clarear eventuais dúvidas sobre a proposta de AD 1.

História Medieval


Complementação das análises sobre a formação do período feudal, iniciada no último encontro. Análise, sob as perspectivas de DUBY e BLOCH sobre a expansão do comércio regular ao longo, sobretudo, do século XII. Além disso, discutiremos as causas que levaram ao enfraquecimento do poder real e o fortalecimento, ao mesmo tempo, da aristocracia rural.

PONTUAÇÃO NAS AVALIAÇÕES

História Antiga

Para manter um coerência quanto à correção das ADs, informo que as notas serão compostas da seguinte maneira (pontuação: 0 a 100 pontos):

1. Pesquisa bibliográfica: 0 a 20 pontos. O aluno precisa consultar fontes e avaliar se elas são viáveis ou não à sua argumentação.

2. Organização da narrativa: 0 a 40 pontos. O aluno precisa saber argumentar de forma clara e objetiva, criando um texto coeso que possua ideias organizadas e discuta o tema apresentado conforme a proposta da atividade.

3. Posicionamento: 0 a 30 pontos. O aluno precisa, obrigatoriamente nesta atividade, se posicionar quanto à proposta apresentada. Posicionar-se significa defender um ponto de vista, mas com argumentação coerente e subsídios válidos.

4. Normas: 0 a 10 pontos. O aluno precisa, minimamente obedecer normas de formatação (ABNT), sobretudo se elas forem especificadas pelo professor organizador da Avaliação.

Até sábado.


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10.8.16

[CEC Rep] 1º ano ProEMI Os "pré-socráticos"

ATENÇÃO: Este texto foi entregue em folha na sala. Se você não recebeu, solicite um cópia ao professor.
AULAS PROGRAMADAS PARA O DIA 15 e 16/08 PARA A TURMA 1004

Os "Pré-Socráticos" (ou "Os Originários")

A ideia que o prefixo “pré” nos traz é, quase sempre incorreta no campo das Ciências Humanas. Em História, por exemplo, utilizamos o termo “Pré-História” para fazer referência às sociedades sem escrita, mas não sem História. Em Filosofia, “Pré-Socráticos” pode induzir não só à ideia de um olhar sobre os filósofos anteriores a Sócrates, mas também a pouca importância que eles pretensamente tinham. Assim, valoriza-se a experiência e a complexidade de raciocínio dos filósofos vindo depois de Sócrates e descaracterizam-se os anteriores. Para tentar evitar esse tipo de “injustiça”, o Prof. CESAR LAPA (também do Colégio Canadá), sugere o termo “originários” para designar os filósofos que contribuíram com a formulação do pensamento sistematizado antes e Sócrates.

A apostila a seguir é uma síntese adaptada por mim da História do Pensamento Filosófico. Em essencial, é importante que se compreenda o papel da Filosofia na intenção e na motivação para se chegar a determinado conhecimento de forma sistematizada e metodológica. Originalmente e na íntegra, o texto foi publicado no site Universo Racionalista (acesso em 25 mai. 2016), por Kherian Gracher.

“Não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense; precisamente porque o pensar é próprio do homem como tal” GRAMSCI

Além do trecho acima, do Filósofo italiano Antonio GRAMSCI, ARISTÓTELES (384-322 a. C.) também afirmava que “os homens começaram a filosofia pelo espanto”. O significado da palavra “espanto” para o Filósofo era outro: significava dúvida, inquietação, desconforto, ou seja, para ele, os homens começaram a se sentir “desconforto” por não conseguirem estruturar explicações para determinadas questões. Quando surgiu essa vontade de colocar tudo às claras, nascia também as bases do pensamento filosófico.

Repare que não estamos falando simplesmente da Filosofia Grega. Falamos da ideia de que o homem, de qualquer lugar, buscou explicações para determinados problemas ou situações. Muito se tem falado que a Filosofia é grega. O problema é que com essa limitação geográfica, deixamos de lado contribuições importantes simplesmente porque não as conhecemos tão profundamente com as gregas. É importante ter em mente que o homem, independentemente do seu espaço físico, se inquietou e produziu conhecimento. O que ocorreu com a Grécia foi uma sobreposição dos seus valores artísticos e culturais sobre os demais povos.

A maior tarefa da Filosofia é o problematizar. Assim, novamente chegamos à ideia de ARISTÒTELES. Problematizar é de certa forma o espanto do questionamento. Antigamente, por exemplo, os homens não tinham os instrumentos que dispomos hoje, mas as perguntas aconteciam, mesmo que as respostas não pudessem, naquele momento, ser encontradas. Atenção para um primeiro ponto: A pergunta é mais importante que a resposta em si, uma vez que ela um passo a mais rumo ao conhecimento.


Do mito ao logos

Assim que os Filósofos iniciaram seus questionamentos e, por consequência, a busca por novas respostas, deixaram de lado os mitos, ou seja, as explicações não fundadas na razão. Um importante pensador nascido no final do século XVIII chamado HEGEL (1770-1831), afirmava que “os gregos despertaram de um sono mitológico, de uma era onde não havia tanta razão”. Para Hegel, então, a Filosofia era uma negação à mitologia.

HEGEL não foi o único a entrar nessa discussão. Outros autores pensam justamente o contrário. É o caso, por exemplo, de CORNFORD que, contrariamente, pregava que os mitos eram sim racionais e a base de toda a Filosofia.

Desnecessário tomar lado nessa discussão, mas fundamental perceber que os conceitos e ensinamentos mesmo em oposição têm valor.

Os Originários"


Para ARISTÓTELES, Filósofo pós-socrático que tinha interesse em conhecer a realidade dos Filósofos anteriores a SÓCRATES, os primeiros Filósofos tentavam analisar a natureza de modo a ordená-la em princípios básicos. Esses princípios, por sua vez, recorriam a quatro causas, são elas: Causa material, Causa eficiente, Causa formal e Causa final. Não é difícil entender cada uma delas. A Causa material seria a matéria em si; a Causa eficiente a potencialidade para se chegar a determinado ponto; Causa formal seria a forma como se chegaria à objetividade de determinada coisa; e, por fim, a Causa final, seria o motivo da existência de determinada coisa.

ASITÓTELES percebeu que Os Originários analisam a natureza de modo a tentar organizá-la em princípios básicos. Por muitas vezes, esses Filósofos eram tratados como monistas porque tentavam isolar determinados elementos em busca de respostas. Vejamos alguns deles:

Tales (cerca de 625-545 a.C.)


A água é o princípio único de tudo.
TALES de Mileto tem grande importância para a Filosofia porque foi um dos primeiros a elaborar, entre outras coisas, cálculos complexos como, por exemplo, medir a altura das pirâmides através das suas sombras. TALES adotou a água como princípio do universo. De acordo com ele a terra repousava sobre a água, tal como um pedaço de madeira flutuando na correnteza.

ARISTÓTELES, ao tentar explicar TALES, supôs que a ideia de que tudo vinha da água era em virtude da necessidade dos seres vivos para com a água.

Pitágoras

Tanto Pitágoras de Samos (c. 570-496 a.C.) como Tales dividiram as honras de introduzir a filosofia na Grécia antiga. Além de filósofo, Pitágoras também foi um exímio matemático. Você deve lembrar do Teorema de Pitágoras. Na cidade de Crotona, Pitágoras fundou uma comunidade semi-religiosa, que durou até 450 a.C., ou seja, posterior a sua morte. É atribuído a ele a invenção do termo “filósofo”. Conta-se que certa vez, em vez de se declarar como sábio (sophos), Pitágoras teria dito com modéstia que era apenas um amante da filosofia (philosophos).

Heráclito

Heráclito de Éfeso foi um dos filósofos que mais obras chegaram até a posteridade. No entanto, na própria antiguidade ele era apelidado de “o Enigmático” e “Heráclito, o Obscuro”, que dá bons indícios sobre a dificuldade de entendermos sua obra.

Tal como Xenófanes, Heráclito também acreditava que todo dia um novo Sol aparecia no céu, e como Anaximandro ele afirmava que o Sol era constrangido por um princípio cósmico. Essas teorias se desenvolveram com Heráclito para uma doutrina do fluxo universal: Tudo, afirmava ele, está em movimento, nada permanece imóvel; o cosmos é como uma correnteza. Como diz o famoso exemplo que visa representar a teoria heraclítica, se entrarmos duas vezes em um mesmo rio, não poderemos pôr nossos pés duas vezes na mesma água, dado que a água não será a mesma nesses dois momentos. Mas, além disso, não poderíamos pisar duas vezes no mesmo rio. Essa segunda passagem não parece fazer sentido, mas isso se entendermos que o que identifica um rio é seu curso. Caso entendamos que um rio é identificado pelo seu conteúdo, então o rio estaria em um constante movimento. Esse exemplo é uma alegoria para afirmar que a realidade é uma constante mudança.

Qual seria então a causa material da realidade para Heráclito? O fogo, que seria uma corrente fluida, um modelo de mudança constante, consumindo-se e revigorando-se. O que governa esse mundo em constante mudança, ou seja, a causa eficiente? O Logos, a razão e ordem necessária para manter o equilíbrio em um mundo de mudanças. O cosmos seria, então, uma constante mudança, resultado de uma luta entre forças naturais opostas, estruturados pelo Logos.

Por fim…

Os filósofos pré-socráticos podem nos parecer obscuros e místicos aos nossos olhos, mas não devemos retirar a importância e contribuição que eles tiveram em todo o desenvolvimento do pensamento humano. Com eles tivemos a gênese não só da filosofia, mas de várias ciências. Cada um à sua maneira eles tentaram, através da razão, explicar como se comportava o universo, o cosmos.
Segue abaixo um pequeno resumo com as ideias gerais:

Tales: Tudo é água;
Anaximandro: Tudo é matéria eterna (apeíron);
Anaxímenes: Tudo é ar;
Pitágoras: Tudo é uma harmonia numérica;
Xenófanes: Tudo é terra;
Heráclito: Tudo é fogo, é movimento;
Parmênides: Tudo é um Ser indivisível e imóvel;
Empédocles: Tudo é porção de água, ar, fogo e terra,
reunidos conforme o Amor e o Ódio;
Anaxágoras: Tudo foi e é criado pela ação da Mente
sobre os elementos fundamentais do cosmos
Atomismo: Tudo é matéria indivisível [átomos].



Obviamente que, para exagerar no número de folhas, procurei reduzir ao máximo ao texto, deixando de fora alguns dos pensadores. Reforço, então, a indicação da página com o texto completo: http://www.universoracionalista.org/pre-socraticos/. Acesse, se quiser.

ATIVIDADES

1. “A verdadeira Filosofia consiste em reaprender a ver o mundo”. (Merleau-Ponty, filósofo francês). Após ler o pensamento de Merleau-Ponty, explique por que a Filosofia é diferente das outras ciências.

2. Em todo o texto (e em todas as aulas) é perceptível a ideia de que a dúvida e a problematização são pontos essenciais para a Filosofia. Explique por que.

3. Já na primeira citação desta apostila damos de cara com o seguinte trecho de Gramsci: “Não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense; precisamente porque o pensar é próprio do homem como tal” Explique por que, geralmente, a Filosofia é vista como algo acessível apenas para poucos homens. Descreva também suas experiências (atual ou anteriores, se existirem) com esta área do conhecimento.

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[CEC Rep] 8º ano Revolução Francesa

ATENÇÃO: Este texto foi entregue em folha na sala. Se você não recebeu, solicite um cópia ao professor. 
AULAS PROGRAMADAS PARA O DIA 16 e 18/08 PARA AS TURMAS 801 e 802

Como era a França no século XVIII?

A situação da França no século XVIII era de extrema injustiça social na época do Antigo Regime. O Terceiro Estado era formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia comercial. Os impostos eram pagos somente por este segmento social com o objetivo de manter os luxos da nobreza. A França era um país absolutista nesta época. O rei governava com poderes absolutos, controlando a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos. Havia a falta de democracia, pois os trabalhadores não podiam votar, nem mesmo dar opiniões na forma de governo. Os oposicionistas eram presos na Bastilha (prisão política da monarquia) ou condenados à guilhotina.

A sociedade francesa do século XVIII era estratificada e hierarquizada. No topo da pirâmide social, estava o clero que também tinha o privilégio de não pagar impostos. Abaixo do clero, estava a nobreza formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte. A base da sociedade era formada pelo terceiro estado (trabalhadores, camponeses e burguesia) que, como já foi dito, sustentava toda a sociedade com seu trabalho e com o pagamento de altos impostos. Pior era a condição de vida dos desempregados que aumentavam em larga escala nas cidades francesas.

A vida dos trabalhadores e camponeses era de extrema miséria, portanto, desejavam melhorias na qualidade de vida e de trabalho. A burguesia, mesmo tendo uma condição social melhor, desejava uma participação política maior e mais liberdade econômica em seu trabalho.


A Revolução Francesa (14/07/1789)

A situação social era tão grave e o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o objetivo de tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão política era o símbolo da monarquia francesa.

O lema dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, pois ele resumia muito bem os desejos do terceiro estado francês. Durante o processo revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja foram confiscados durante a revolução.

No mês de agosto de 1789, a Assembleia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Este importante documento trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo.

Girondinos e Jacobinos

Após a revolução, o terceiro estado começa a se transformar e partidos começam a surgir com opiniões diversificadas. Os girondinos, por exemplo, representavam a alta burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e rurais na política. Por outro lado, os jacobinos representavam a baixa burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, os jacobinos eram radicais e defendiam também profundas mudanças na sociedade que beneficiassem os mais pobres.

A Fase do Terror

Em 1792, os radicais liderados por Robespierre, Danton e Marat assumem o poder e organização as guardas nacionais. Estas, recebem ordens dos líderes para matar qualquer oposicionista do novo governo. Muitos integrantes da nobreza e outros franceses de oposição foram condenados a morte neste período. A violência e a radicalização política são as marcas desta época.
A burguesia no poder

Em 1795, os girondinos assumem o poder e começam a instalar um governo burguês na França. Uma nova Constituição é aprovada, garantindo o poder da burguesia e ampliando seus direitos políticos e econômico. O general francês Napoleão Bonaparte é colocado no poder, após o Golpe de 18 de Brumário (9 de novembro de 1799) com o objetivo de controlar a instabilidade social e implantar um governo burguês. Napoleão assumi o cargo de primeiro-cônsul da França, instaurando uma ditadura.

Outras considerações

A Revolução Francesa foi um importante marco na História Moderna da nossa civilização. Significou o fim do sistema absolutista e dos privilégios da nobreza. O povo ganhou mais autonomia e seus direitos sociais passaram a ser respeitados. A vida dos trabalhadores urbanos e rurais melhorou significativamente. Por outro lado, a burguesia conduziu o processo de forma a garantir seu domínio social. As bases de uma sociedade burguesa ecapitalista foram estabelecidas durante a revolução. Os ideais políticos (principalmente iluministas) presentes na França antes da Revolução Francesa também influenciaram a independência de alguns países da América Espanhola e o movimento de Inconfidência Mineira no Brasil.

Atividades
(use o seu caderno para responder)

1. Descreva em poucas linhas porque podemos dizer que a situação da Franca no século XVIII contribuiu para o início do processo revolucionário naquele país.
2. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é um importante documento criado ao longo do processo de Revolução na França. Explique no que ele consistia.
3. O povo francês mostrou, através de uma revolta, que estava descontente com a situação do país no século XVIII. Você acha que o povo tem direito de se revoltar se não existir justiça econômica e social no seu país? Escreva algumas linhas sobre esse assunto.



Componente do currículo mínimo: Revolução Francesa
Folha 20 - 8º ano
Conteúdo de reposição

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[CEC Rep] 7º ano Reforma Protestante e Contrarreforma

ATENÇÃO: Este texto foi entregue em folha na sala. Se você não recebeu, solicite um cópia ao professor. 


A Reforma Protestante tem início no século XVI e é uma série de tentativas de reformar a Igreja Católica Romana. Esse processo levou à divisão e ao estabelecimento de várias igrejas cristãs, das quais se destacam a Igreja Luterana, a Igreja Anglicana e a Calvinista. Os historiadores apontam fatores de ordem cultural, econômica e política para explicar como o poderio católico foi colocado em xeque naquele momento. Vejamos alguns deles:

Cultural O racionalismo e a valorização do homem, próprios do Renascimento, deram origem a uma mentalidade que se opunha a religiosidade católica medieval. A divulgação e a leitura dos textos bíblicos, dos escritos dos sábios da antiguidade e dos santos da Igreja criaram um clima de debate e questionamento das verdades estabelecidas. Tanto que os primeiros movimentos que questionaram a autoridade da Igreja surgiram no interior das Universidades.

Relembrando
O Renascimento Cultural foi um movimento que teve seu início na Itália no século XIV e se estendeu por toda a Europa até o século XVI.
Os artistas, escritores e pensadores renascentistas expressavam em suas obras os valores, ideais e nova visão do mundo, de uma sociedade que emergia da crise do período medieval.
Na Idade Média, a produção intelectual e artística estava ligada à Igreja. Já na Idade Moderna, a arte e o saber voltaram-se para o mundo concreto, para a humanidade e a sua capacidade de transformar o mundo

Econômico O renascimento comercial criou uma nova realidade econômica na Europa. Os dogmas católicos tradicionais combinavam com a economia de subsistência da Idade Média. No entanto, o lucro e a cobrança de juros, passaram a ser essenciais depois do renascimento comercial. De modo que a burguesia tendia a não aceitar aqueles dogmas religiosos.

Político O poder nacional do rei, surgido com a centralização política, se contrapunha ao poder supranacional da Igreja. Os conflitos entre os interesses das monarquias nacionais e os da Igreja de Roma se manifestavam nos direitos de cobrar impostos, na administração da justiça e na nomeação dos bispos.

Antecedentes e Causas da Reforma

- Corrupção do clero e afastamento de seus membros das concepções originais do cristianismo (humildade, fraternidade, caridade);
-Venda de indulgências / Venda de relíquias sagradas / Venda de cargos no clero;
- Fortalecimento da burguesia X condenação do lucro pela Igreja;
- Fortalecimento das monarquias nacionais X poder clerical + abundância de terras da Igreja;
- Renascimento cultural (questionamento de alguns valores tipicamente medievais);
- Leitura e interpretação da Bíblia restrita aos membros do clero (Bíblia só em latim).


REFORMA LUTERANA

Martinho Lutero (1483-1546) era um monge agostiniano alemão e estudioso da Bíblia. Com base nos seus estudos começou a criticar os abusos da Igreja. Depois de uma viagem a Roma voltou abalado com o luxo, a decadência de costumes e a corrupção do alto clero. O conflito de Lutero com a Igreja começou com suas críticas à venda de indulgências na Alemanha. A polêmica acabou levando à excomunhão de Lutero. O monge rebelde rasgou a bula da excomunhão e afixou na porta da catedral de Wittemberg as famosas 95 teses. (clique aqui para ler as 95 teses de Lutero).

Alguns princípios do Luteranismo: salvação pela fé, tradução da Bíblia, leitura e livre interpretação da Bíblia, eliminação de santos e imagens, fim do celibato para sacerdotes, não seguimento da autoridade papal, dois sacramentos (batismo e eucaristia), submissão da Igreja ao Estado.

REFORMA CALVINISTA

João Calvino (1509-1564), francês e seguidor das ideias luteranas, se estabeleceu em Genebra (Suíça), onde escreveu As “Instituições Cristãs”. Nessa cidade começou a pregar a sua doutrina, que tinha muitos pontos em comum com o luteranismo. A diferença mais importante se refere à doutrina da salvação. Para Lutero, como vimos, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela predestinação. Calvino afirma que nós viemos ao mundo predestinados por Deus a sermos salvos ou condenados.
Os sinais da escolha divina se manifestariam na vida dos indivíduos. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres para com a sociedade e a família seriam alguns desses sinais. Esse cidadão teria também a sua vida abençoada por Deus, resultando no progresso econômico.

REFORMA ANGLICANA

A Reforma Anglicana teve origem no conflito entre o rei Henrique VIII (1509-1547) da Inglaterra e o papa Clemente VII, que não concordou em conceder ao rei o divórcio de sua primeira esposa, Catarina de Aragão. Além disso, Henrique VIII pretendia confiscar as terras da Igreja em solo inglês. A questão do divórcio serviu como pretexto para o rompimento definitivo.
Por meio do Ato de Supremacia, Henrique VIII tornou-se o chefe da Igreja inglesa. Os membros do clero inglês tiveram que jurar fidelidade ao rei e romper com o papa. Os que se recusaram, foram destituídos e perseguidos. As terras confiscadas da Igreja foram vendidas à nobreza inglesa, que, desta forma, se tornou fiel partidária da Igreja Anglicana.
Como se pode perceber, esta reforma não se deu por motivos doutrinários e sim claramente políticos. Por isso, inicialmente, a religião anglicana pouco diferia da católica. Diferenciava-se apenas pelo uso do inglês em lugar do latim e pela obediência ao rei e não ao papa. Mais tarde, sofreu algumas mudanças introduzidas pela rainha Isabel I, filha de Henrique VIII.

CONTRARREFORMA

Medidas da Igreja Católica para conter o avanço protestante na Europa.
- O Concílio de Trento (1545 1563): reafirmação do dogma da salvação por meio da fé e das boas obras; confirmou o culto à virgem e aos santos; a existência do purgatório; a infalibilidade do Papa; o celibato do clero; proibiu a venda de indulgências; manteve a hierarquia eclesiástica; criou de seminários e o catecismo; criação do INDEX – relação de livros proibidos, reativação dos Tribunais do Santo Ofício.
- Criação da Companhia de Jesus (Inácio de Loyola - Espanha): ordem dos jesuítas, busca de novos fiéis (América), educação e catequese.


ATIVIDADES
(utilize o seu caderno para as resposta)

1. Por que o texto menciona que a Reforma Anglicana não aconteceu por motivos doutrinários, mas sim políticos?
2. Explique o que seria predestinação para o Calvinismo.
3. Explique por que o Renascimento cultural e comercial abalaram o mundo religioso dominado pela Igreja Católica.
4. Por que a criação de uma relação de livros proibidos (INDEX) era importante para a Igreja Católica?


Componente do currículo mínimo: Reforma Protestante e Contrarreforma
Folha 19 - 7º ano
Conteúdo de reposição

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[CEC] Listagem de materiais para reposição

Lista com os materiais destinados à reposição de conteúdos por conta da greve da rede estadual no Colégio Estadual Canadá. Todos os materiais serão entregues em sala, durante as aulas. A listagem será ampliada do longo das aulas.



TURMA 603

1. Civilizações da Antiguidade: Egito e Mesopotâmia [acesse aqui]
2. Teste (não obrigatório) visando preparação para prova bimestral [acesse aqui]

TURMA 701

1. Reforma Protestante e Contrarreforma [acesse aqui]
2. Teste (não obrigatório) visando preparação para a prova bimestral [acesse aqui]

TURMA 705

1. Reforma Protestante e Contrarreforma [acesse aqui]
2. Teste (não obrigatório) visando preparação para a prova bimestral [acesse aqui]

TURMA 801

1. Revolução Francesa [acesse aqui]
2. Teste (não obrigatório) visando preparação para a prova bimestral [acesse aqui]

TURMA 802

1. Revolução Francesa [acesse aqui]
2. Teste (não obrigatório) visando preparação para a prova bimestral [acesse aqui]

TURMA 1003

1. Slides de Introdução à Sociologia [acesse aqui]

TURMA 1004

1. Os "pré-socráticos" [acesse aqui]

TURMA 1006

1. Apostila "Antiguidade Clássica" [acesse aqui]

TURMA 2005

1. Subsídios para aula sobre "Cidadania" [clique aqui]

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